Se você é Deus: três atitudes diante da cruz que decidem a salvação
Três homens estavam na cruz. Três encontros com Jesus. Apenas um foi salvo. A diferença não foi a vida que viveram, foi a postura no momento final.
Por que algumas pessoas encontram com Jesus e são salvas, e outras encontram com Jesus e continuam perdidas? Essa pergunta atravessa a Bíblia inteira, mas em nenhum lugar ela é tão comprimida quanto em Lucas 23. Três homens crucificados lado a lado. O do meio era o Cristo. Os outros dois eram malfeitores. Cada um tinha a mesma proximidade física com Jesus. Cada um ouviu as mesmas palavras. Cada um teve a mesma oportunidade. Mas o resultado foi diferente. Um foi salvo. O outro não. E a Bíblia conta tudo em poucos versículos para que você é eu pudessemos entender qual atitude diante da cruz nos coloca de qual lado da eternidade.
A cena do calvario
Lucas 23, a partir do versículo 32, descreve a cena. Também eram levados outros dois, malfeitores, para serem executados com Jesus. Quando chegaram ao Calvario, ali o crucificaram, junto com os malfeitores, um a sua direita, outro a sua esquerda. Jesus dizia: Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem.
O povo observava tudo. As autoridades zombavam: salvou os outros, salve a si mesmo se e o Cristo de Deus, o escolhido. Os soldados zombavam também, oferecendo vinagre, dizendo: se você é o rei dos judeus, salve a si mesmo. Acima de Jesus estava a inscrição: este é o Rei dos Judeus.
Um dos malfeitores blasfemava: você não é o Cristo? Salve a si mesmo e a nos também. Mas o outro o repreendeu: você nem ao menos teme a Deus, estando sob a mesma sentenca? A nossa punição é justa, porque estamos recebendo o castigo que merecemos, mas este não fez mal nenhum. E acrescentou: Jesus, lembre-se de mim quando você vier no seu Reino. Jesus respondeu: em verdade lhe digo que hoje você estara comigo no paraiso.
Três atitudes. Três encontros com Jesus. Três destinos diferentes.
Primeira atitude: o soldado romano confortável
A primeira atitude vem das autoridades e dos soldados. Eles estão em pé, confortáveis, observando. Não estão crucificados. Não tem desespero pessoal. Eles olham para Jesus e dizem: se você é Deus, não deveria estar nessa situação. Salve-se. Faça um milagre. Prove. Atende ao meu pré-requisito mental do que e ser Deus.
Aqui esta o problema. Quando você define quem Deus e, você está no papel de criador. Você decide que características Deus precisa ter para ser Deus. Você determina que coisas ele pode ou não pode fazer. Você estabelece que para ele ser Deus, precisa caber nos seus criterios. E se ele cabe nos seus criterios, você é maior que ele. Você não está adorando, você está supervisionando.
Pense num astronauta que vai conhecer um país novo. Ele não chega ao país e diz como o país deve funcionar. Ele se submete a cultura local, aprende, observa, respeita. Quando você chega diante de Deus determinando o que Deus precisa ser, você não está diante de Deus, você está tentando criar Deus a sua imagem. Aí você virá o deus dessa relação.
E o homem só tem encontro real com esse Deus se ele desejar que você o encontre. Pense em Romeu e Julieta. Só sabemos sobre eles o que Shakespeare escreveu sobre eles. Ele é o autor. Da para saber sobre Romeu e Julieta apenas o que está no livro. Não da para acrescentar nada do lado de fora do livro. Da mesma forma, Deus e autor da realidade. Só da para conhecer o que ele revelou. E ele se revelou de modo definitivo quando entrou na própria historia que escreveu, nascendo na barriga de uma mulher e morrendo numa cruz.
Segunda atitude: o ladrão que pede solução
A segunda atitude vem do primeiro malfeitor. Ele está crucificado, sentindo a dor, vendo a morte chegar. Mas o pedido dele e de outra natureza. Você não é o Cristo? Salve a si mesmo e a nos também. Note a frase. Salve-nos dessa situação. Ele não quer mudança de vida, quer mudança de circunstancia. Não quer ser perdoado, quer ser livrado.
Compare. O soldado romano dizia: salve-se dessa situação. O primeiro ladrão diz: me salve dessa situação. As duas atitudes são parecidas, mas com pequena variação. Em ambas, Deus e ferramenta para um fim pessoal. Em ambas, Deus precisa cumprir uma demanda específica para ser aceito. Se você é Deus, resolve esse problema para mim. Se você é Deus, me da isso, me da aquilo. Se você é Deus, faz acontecer o que eu quero.
Nesse caso, você está colocando Deus como seu servo. A finalidade da sua vida é o deus da sua vida. Se a finalidade e seu casamento, seu casamento e seu deus. Se a finalidade e sua carreira, sua carreira e seu deus. Se a finalidade e sua saude, sua saude e seu deus. Você vai a Cristo apenas se Cristo for instrumento da finalidade que já e seu deus. Você e o deus, Cristo é o servo.
Por que Deus não resolve e faz tudo o que você quer? Porque se Deus fizesse tudo que você pede, Deus mataria você. Toda vez que minha filha gritava por uma caixa de chocolates antes do almoço, eu não atendia. Atender seria amor menor. Negar e amor maior, porque eu vejo o que ela não ve. Deus também ve o que você não ve. Quando ele nega o que você pede, e amor.
Terceira atitude: o ladrão que pede mercia
O segundo ladrão tem outra postura. Primeiro, ele temeu a Deus. Você nem ao menos teme a Deus, estando sob a mesma sentenca? Segundo, ele reconheceu a própria culpa. A nossa punição é justa, porque estamos recebendo o castigo que merecemos. Terceiro, ele reconheceu a inocência de Jesus. Mas este não fez mal nenhum. Quarto, ele apelou para a misericórdia. Jesus, lembre-se de mim quando você vier no seu Reino.
Repare na composição desse pedido. Ele não pede pra ser tirado da cruz. Não pede para escapar da morte. Não pede solução circunstancial. Pede para ser lembrado. Pede mercia. Pede que Jesus, no momento certo, no reino certo, se lembre dele. E o pedido e baseado em quem Jesus e, não em quem ele e.
Existem três falas tipicas no mundo religioso, e o segundo ladrão desmonta todas.
A fala do religioso: ele e mal, ele não merece, puna-o. Era a fala do soldado e dos religiosos.
A fala da libertinagem: eu não sou mau, eu mereco, me premie. Era a fala do primeiro ladrão.
A fala do evangelho: eu sou mau, eu não mereco, mas me premie. Era a fala do segundo ladrão.
O segundo ladrão descobriu que o premio não se baseava em quem ele era, mas em quem Jesus era. Ele entendeu: eu sou mau, mas a bondade dele e maior que a minha maldade. E só essa lógica salva.
A confirmação com a cananeia
Mateus 15 confirma a mesma lógica em outro contexto. Uma mulher cananeia clamava: Senhor, Filho de Davi, tenha compaixão de mim, minha filha esta horrivelmente endemoniada. Jesus não respondeu palavra. Os discípulos sugeriram que a mandasse embora. Jesus disse: não fui enviado senão as ovelhas perdidas da casa de Israel. A mulher veio, adorou, e disse: Senhor, me ajude. Jesus respondeu: não é correto pegar o pão dos filhos e jogar aos cachorrinhos. A mulher disse: e verdade, Senhor, pois os cachorrinhos comem das migalhas que caem da mesa dos seus donos.
Jesus chamou a mulher de cachorrinha. Ela aceitou a designação. Eu sei quem eu sou, eu sei que sou cachorrinha, mas eu sei também quem você é. Eu não vim confiando em quem eu sou, vim confiando em quem você é. Jesus exclamou: mulher, que grande fé você tem. Que seja feito como você quer. E desde aquele momento, a filha dela ficou curada. Fé na bondade dele, não no merecimento próprio.
O que acontece quando somos salvos
A resposta básica e: vamos para o céu. Mas o que acontece de fato quando somos salvos? A salvação tem três etapas.
Morrer com Cristo. Quando renunciamos o pecado, morremos com ele. Quando Jesus morreu, morremos com ele. Paulo escreve em Romanos 6 que fomos crucificados com Cristo.
Ressuscitar com Cristo. Se ressuscitamos com ele, andamos como ele. Somos nova criatura. As coisas antigas passaram, eis que tudo e novo.
Reinar com Cristo. Se morremos com ele e ressuscitamos com ele, estamos reinando com ele. Mas o que e reinar?
Reinar pelos olhos do reino
O mundo entende reinar como salvar a si mesmo, viver para si, ser servido, ter coisas boas para dizer que é bom, fazer o que quiser. Era a visão que zombava na cruz. Os zombadores não entendiam que o Filho do Homem estava reinando justamente naquele momento, na cruz.
Mas reinar no reino de Deus e diferente. Não é ter poder para se salvar, porque você já foi salvo. E ter poder para perder a vida para que outros sejam salvos. Estar na cruz é o maior simbolo de ser rei segundo o reino de Deus. Reinar em Cristo e renuncia até de coisas licitas. Assistir um filme não é pecado, em si. Mas Deus pode pedir para você renunciar esse tempo para que outras vidas sejam salvas. Reinar e estar livre para morrer. Reinar e estar livre para entregar sua vida por outros.
Costumamos orar: Senhor, nos entregue esse estado, nos entregue os perdidos. A oração certa e o oposto: Senhor, nos entregue para esse país, nos entregue para os perdidos. Somos nos que devemos ser entregues como sacrifício vivo.
Três mortes na mesma cruz
Na cruz, três homens morreram. Um homem morreu em pecado. O primeiro ladrão morreu sem se entregar. Um homem morreu para o pecado. O segundo ladrão confessou, recebeu, foi salvo, morreu redimido. E um homem morreu pelos pecados. Jesus, sem mancha, morreu para que os outros dois pudessem ter chance.
Você está diante das mesmas três mortes hoje. Não no plano físico, mas no plano espiritual. Em qual delas você vai ficar? Insistir em ser deus de si mesmo? Pedir solução apenas para circunstancia? Ou cair na bondade do que já foi feito por você na cruz e pedir mercia?
A pergunta não espera
Hoje a salvação chegou a esta casa. Foi o que Jesus disse para Zaqueu. Foi o que ele disse para o segundo ladrão. E o convite continua aberto. Você não precisa estar limpo para chegar. Você precisa estar honesto. Eu sou mau, eu não mereco, mas você é bom, e por isso me lembre. Em verdade lhe digo que hoje você estara comigo no paraiso.
Perguntas frequentes
Por que apenas um dos ladrões na cruz foi salvo?
Os dois malfeitores tinham a mesma proximidade física com Jesus e ouviram as mesmas palavras. A diferença não foi a vida que viveram, mas a postura final: um blasfemava e o outro reconheceu seu pecado diante de Jesus.
O que o ladrão arrependido disse a Jesus em Lucas 23?
Ele repreendeu o outro malfeitor por não temer a Deus, reconheceu que merecia a condenação e confiou em Jesus. Sua atitude de arrependimento e fé, e não suas obras, o colocou do lado da salvação.
A salvação na cruz depende das obras ou da fé?
O ladrão salvo não teve tempo de praticar boas obras. Foi salvo pela graça, por meio da fé no momento final. A cena mostra que a postura de fé diante de Cristo é o que decide a salvação.