Resenha do Teólogo

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Por que Jesus falou em parábolas?

Sentar numa igreja durante um ano inteiro não garante que alguém entendeu o evangelho. Eu já vi pessoas que decoraram histórias bíblicas desde crianças e que não enxergam o que está escrito ali. E já vi pessoas q...

Por Resenha do Teólogo · 24 de maio de 2026

Capa: Por que Jesus falou em parábolas?

Leitura principal: Mateus 13.1-17 (NVT).

Sentar numa igreja durante um ano inteiro não garante que alguém entendeu o evangelho. Eu já vi pessoas que decoraram histórias bíblicas desde crianças e que não enxergam o que está escrito ali. E já vi pessoas que entraram pela primeira vez numa reunião, sem nunca ter aberto uma Bíblia, e saíram chorando de entendimento. Por que isso acontece?

A pergunta não é nova. Os discípulos de Jesus fizeram exatamente essa pergunta. Estavam ali, do lado dele, ouvindo as mesmas palavras que a multidão ouvia. E perceberam algo estranho. Jesus falava de um jeito que parecia dificultar mais do que esclarecer. Em vez de ensinar como os escribas, com regras e ordens claras, contava histórias curtas que cada um podia interpretar de um jeito. Por que? Por que ele não falava do Reino do jeito mais direto possível, para que o maior número de pessoas pudesse entender e ser salvo?

A resposta que Jesus dá no texto que vamos estudar é uma das mais desconfortáveis do Evangelho de Mateus. Ele não diz que fala em parábolas para facilitar a vida das pessoas. Diz quase o contrário. Fala em parábolas porque parte daquele povo tinha decidido não ouvir. Falar com clareza absoluta era jogar pérolas no chão. Falar em parábola era usar uma forma que ao mesmo tempo escondia e revelava. Quem queria ouvir, ouvia. Quem não queria, voltava para casa com a sensação de que aquele rabi era estranho e seguia a vida.

Esse texto está aqui para fazer uma coisa em você. Eu quero que você leia esse capítulo sabendo que está sendo lido por ele. Não dá para passar pelo treze de Mateus como espectador. Ou você tem ouvidos que ouvem, ou tem ouvidos que ouviram de mau grado, como diz a citação de Isaías que aparece no meio da explicação de Jesus. Não tem caminho do meio. Por isso esse não é um capítulo para correr os olhos enquanto toma café. Esse é um capítulo para parar. Você está disposto a parar?

O contexto bíblico

Antes de entrar no texto, vale entender que mundo cercava aquela cena na praia. Quando Jesus saiu de casa naquele dia e se assentou junto ao mar da Galileia, o chão estava amarrado por correntes que poucos viam. Roma dominava. Não dominava como conquistadora distante. Dominava com soldados nas estradas, com legionários andando pelas cidades, com cobradores de imposto sentados nas portas. Tibério reinava em Roma, e seus prefeitos administravam a Judeia. Pôncio Pilatos governava a região sul. Herodes Antipas, filho de Herodes o Grande, era tetrarca da Galileia. Esses dois homens nunca foram vistos como autoridades legítimas pelo povo simples. Eram os que prendiam, açoitavam, crucificavam. A cruz não era símbolo religioso ainda. Era ferramenta de Estado. Quem subia numa cruz era inimigo de Roma.

O povo judeu vivia numa duplicidade pesada. Pagava imposto a Roma e pagava o dízimo ao Templo. Comia pouco e devia muito. As terras melhores estavam nas mãos de elites ligadas ao sistema religioso ou de proprietários ausentes que cobravam aluguel pelas colheitas. O camponês da Galileia plantava em chão duro, dividia o que colhia e via boa parte da safra ir embora antes de chegar à própria mesa. A miséria não era exceção, era regra. A indignação fervia.

A esperança messiânica explodia debaixo dessa pressão. O povo lembrava dos Macabeus, daquela revolta gloriosa que expulsou os gregos cento e cinquenta anos antes. Sonhava com um novo libertador. Esperava alguém que entrasse em Jerusalém de espada na mão, derrubasse Roma e devolvesse o trono de Davi. Os zelotes pegavam em armas. Os essênios fugiam para o deserto. Os fariseus apertavam a Lei. Os saduceus negociavam com o poder. E o povo, no meio, esperava.

Foi nesse mundo, e não em outro, que Jesus se assentou num barco e começou a contar histórias de semente caindo no chão. Não falou de espada. Não falou de revolução armada. Falou de uma planta que cresce sozinha quando a terra é boa. Aquela cena, vista por olhos romanos, parecia inofensiva. Vista por olhos messiânicos exaltados, parecia uma decepção. Vista pelos olhos que Jesus queria abrir, era o anúncio de um Reino que vinha de um jeito que ninguém esperava.

Tem outro pano de fundo que ajuda a entender o texto. A palavra parábola não soava estranha aos ouvidos judeus daquele tempo. Os rabinos sempre ensinaram por imagens. Existia uma palavra hebraica antiga para isso, mashal, que servia para provérbio, comparação, enigma e fábula curta. Quando um rabi reunia discípulos debaixo de uma árvore e dizia "o Reino dos céus é semelhante a", ninguém estranhava. Era assim que se ensinava verdade espiritual no mundo deles. Quem cresceu em sinagoga ouviu parábolas de tanoeiros, pescadores, pastores e reis. A diferença era o que cada rabi punha dentro da parábola, não a forma.

A vida no campo galileu era pano de fundo natural para essas imagens. A Galileia tinha terra fértil em alguns vales e chão de pedra em outros. Quem plantava ali sabia o que era jogar semente em terreno duro. O semeador caminhava com um saco amarrado na cintura e lançava a semente com as mãos antes de arar. A terra era arada depois do plantio em muitas regiões. A semente caía em chão pisado pelos pés do caminho, em ladeiras de pedra onde a poeira disfarçava a rocha embaixo, em espinhos que ainda estavam por brotar, em terra boa. Aquilo não era ilustração inventada por Jesus. Era a vida de cada agricultor que estava na praia ouvindo o rabi falar.

Outro detalhe que se perde para o leitor moderno é o ato de sentar. Um rabi que sentava estava prestes a ensinar com autoridade. Quem ficava em pé fazia anúncios. Quem se assentava abria a Escritura. Quando o texto diz que Jesus se assentou no barco e a multidão ficou em pé na praia, a cena já comunicava antes de qualquer palavra. Aquele homem ia ensinar como mestre, com a postura que toda Israel reconhecia. Outro peso cultural está na expressão "quem tem ouvidos para ouvir, ouça". O judeu recitava todos os dias a Shemá, que começa exatamente com "ouve, ó Israel". Ouvir era o verbo central da fé. Quando Jesus pede que quem tem ouvidos ouça, ele está dizendo que ouvir com o ouvido não basta. Existe um ouvir mais fundo que distingue quem entende de quem apenas escuta.

A parábola também não nasce em Mateus 13. Ela atravessa toda a Bíblia. Quando Natã chegou diante de Davi, depois do pecado com Bate-Seba, contou a história de um homem rico que tomou a ovelha do pobre. Davi se indignou contra o homem da história antes de perceber que o homem era ele mesmo. Aquela parábola condenou Davi com mais força do que uma acusação direta teria condenado. Isaías cantou a parábola da vinha no capítulo cinco do seu livro, mostrando a Israel uma vinha bem cuidada que produziu uvas bravas. Ezequiel falou em parábolas dos pastores que não pastoreavam, das águias e do cedro. Os profetas usaram imagem para chegar onde a denúncia direta não chegava. Jesus se coloca dentro dessa tradição. Fala como profeta que usa imagem para entrar pelo lado do coração.

A citação de Isaías 6 que aparece no meio da resposta de Jesus carrega ainda mais peso quando lembramos o capítulo de onde ela veio. Isaías acabara de ver o Senhor assentado num trono alto. Acabara de ouvir os serafins clamando santo, santo, santo. Acabara de ser purificado por uma brasa do altar. Foi nesse instante que Deus o enviou para anunciar a uma nação que ouviria sem entender. O endurecimento profetizado por Isaías não era surpresa. Era a resposta que a maioria do povo dava à voz de Deus desde os profetas mais antigos. Jesus pega essa profecia, com mais de setecentos anos de idade, e aplica à geração que estava na praia naquele dia. O endurecimento continuava. A misericórdia também.

Para fechar o pano de fundo, vale lembrar o que vinha acontecendo nos capítulos anteriores. Em Mateus 11, João Batista estava preso e mandou perguntar se Jesus era mesmo o Messias. Cidades inteiras já tinham visto milagres e não se arrependeram. Corazim, Betsaida e Cafarnaum foram chamadas por nome e advertidas. No capítulo 12, os fariseus acusaram Jesus de expulsar demônios pelo poder de Belzebu. Foi ali que ele falou do pecado contra o Espírito Santo. Naquele mesmo capítulo, sua mãe e seus irmãos chegaram, e ele estendeu a mão para os discípulos dizendo que aqueles eram a sua família. A rejeição estava madura. Os líderes religiosos tinham decidido. As multidões oscilavam entre fascínio e indiferença. A família de Jesus duvidava. O ministério tinha chegado a um ponto de virada. Foi nesse dia, o "naquele dia" com que começa Mateus 13, que Jesus saiu de casa, foi até o mar e mudou a forma de ensinar. Não foi gradual. Foi naquele dia. A parábola entrou em cena como resposta ao endurecimento.

Sabendo de tudo isso, vamos ler o começo do texto.

Mateus 13.1-3 (NVT)

E, naquele dia, saindo Jesus de casa, assentou-se junto ao mar. E ajuntou-se muita gente ao pé dele, de sorte que, entrando num barco, se assentou; e toda a multidão estava em pé na praia. E falou-lhes de muitas coisas por parábolas, dizendo: Eis que o semeador saiu a semear.

Tem um detalhe que passa despercebido. Jesus saiu de casa. Acabara de viver, no capítulo anterior, a cena com a mãe e os irmãos. Aquela conversa pesada sobre quem é família. E naquele dia ele sai. Não está procurando palco. Está se afastando para ensinar. A multidão vai atrás. Não há como pregar para mil pessoas na areia da praia, todo mundo perto do orador, sem alguém ser empurrado para a água. Jesus faz uma coisa simples e genial. Entra num barco, afasta o barco um pouco da praia e usa a curva natural da margem como anfiteatro. A água amplia a voz. A praia organiza o público. A geografia vira púlpito.

Ali, sentado no barco, ele começa. "Eis que o semeador saiu a semear." Não diz "vou ensinar o segredo do universo". Não diz "abram seus cadernos". Começa contando uma história que qualquer agricultor já viu cem vezes.

Mateus 13.4-9 (NVT)

E, quando semeava, uma parte da semente caiu ao pé do caminho, e vieram as aves e a comeram; e outra parte caiu em pedregais, onde não havia terra bastante, e logo nasceu, porque não tinha terra funda; mas, vindo o sol, queimou-se e secou-se, porque não tinha raiz. E outra caiu entre espinhos, e os espinhos cresceram e a sufocaram. E outra caiu em boa terra e deu fruto: um a cem, outro a sessenta e outro a trinta. Quem tem ouvidos para ouvir, ouça.

A história termina sem moral. Termina sem explicação. Termina com um chamado seco: quem tem ouvidos, ouça. Imagina o efeito. Mil pessoas na praia. Todas ouvindo a mesma história. Cada uma indo embora com a própria interpretação. Alguns saíram dizendo "que pregador interessante". Alguns saíram revoltados, esperando algo mais político. Alguns saíram pensando no que cada parte da história significava. E um pequeno grupo, mais perto, esperou ele descer do barco e perguntou de verdade.

Mateus 13.10 (NVT)

E, acercando-se dele os discípulos, disseram-lhe: Por que lhes falas por parábolas?

Os discípulos não perguntaram o que a parábola significava. Perguntaram por que ele estava ensinando dessa forma. A pergunta é metodológica. Perceberam que ele tinha mudado. Antes ensinava no Sermão do Monte com proposições diretas. Bem-aventurados são. Não jureis. Não vos inquieteis. A clareza era brutal. Agora, com toda a multidão na praia, ele esconde a verdade dentro de uma história. Por que? A resposta de Jesus tem duas camadas. Primeira camada, soberania de Deus. Segunda camada, juízo sobre o coração endurecido.

Mateus 13.11 (NVT)

Ele, respondendo, disse-lhes: Porque a vós é dado conhecer os mistérios do Reino dos céus, mas a eles não lhes é dado.

Esse verbo, "é dado", aparece duas vezes na mesma frase. Não é mérito do discípulo. Não foi inteligência deles que decifrou. Foi dom de Deus que abriu. Existe uma distinção entre os que entendem e os que não entendem, e a origem dessa distinção é a graça soberana de Deus, não a esperteza do ouvinte. Esse versículo é uma das declarações mais claras de que o entendimento espiritual não brota do solo natural do coração humano. Brota de cima.

Aqui entra uma cena que eu vejo o tempo todo. Imagine duas pessoas sentadas no mesmo banco da igreja, ouvindo o mesmo sermão, no mesmo domingo. A primeira sai dali falando "como esse pastor é bom de palavra". A segunda sai sem conseguir comer o almoço, porque o texto tocou num lugar que ela vinha escondendo de Deus por dez anos. Mesma voz. Mesma poltrona. Mesmo Espírito agindo. Resultado completamente diferente. Por que? Não porque uma é melhor que a outra. Porque a uma foi dado naquele dia, e à outra não foi dado naquele dia. Talvez seja dado num próximo dia. Talvez nunca. A graça não se compra com presença.

Mateus 13.12 (NVT)

Porque àquele que tem se dará, e terá em abundância; mas àquele que não tem, até aquilo que tem lhe será tirado.

Esse princípio choca quem ouve pela primeira vez. Quem tem recebe mais. Quem não tem perde o pouco que tem. Parece injusto na lógica de quem vive no mercado. No Reino, a coisa funciona assim. Quem ouve a Palavra e responde recebe mais Palavra, mais entendimento, mais luz. Quem ouve e endurece perde até a memória da Palavra que ouviu na infância. É comum no ministério encontrar gente criada em casa cristã que, aos sessenta anos, não lembra mais um único versículo, porque por décadas manteve a Bíblia fechada e o coração também. A semente que estava nas mãos dessa pessoa foi tirada de volta, por endurecimento.

Mateus 13.13 (NVT)

Por isso lhes falo por parábolas, porque, vendo, não veem; e, ouvindo, não ouvem nem compreendem.

Aqui vem a frase-chave do texto. Jesus fala em parábolas porque a multidão, vendo, não vê. A parábola não é o motivo da cegueira. A parábola é o método adequado para uma cegueira que já estava lá. A maioria daquele povo não estava cego porque Jesus não foi claro o suficiente. Estava cego antes de Jesus abrir a boca. A parábola se encaixou na cegueira deles como uma luva. Quem queria continuar cego, continuou. Quem queria enxergar, ficou inquieto até procurar Jesus para perguntar o que aquilo significava.

Mateus 13.14-15 (NVT)

E neles se cumpre a profecia de Isaías, que diz: Ouvindo, ouvireis, mas não compreendereis; e, vendo, vereis, mas não percebereis. Porque o coração deste povo está endurecido, e ouviram de mau grado com seus ouvidos, e fecharam os olhos para não verem com os olhos, e não ouvirem com os ouvidos, e não compreenderem com o coração, e se convertam, e eu os cure.

Esse texto é Isaías 6.9-10. A última frase é a chave. "E se convertam, e eu os cure." Quer dizer, o endurecimento existe para que não se convertam e não sejam curados. Esse é o lado da advertência. Quem ouviu de mau grado fechou o próprio olho. Não foi Deus que fechou primeiro. O povo fechou. Deus respondeu àquela teimosia confirmando a cegueira que o próprio povo escolheu. A teologia clássica chama isso de endurecimento judicial. É o juízo de Deus em forma de silêncio. Quem não quer ouvir deixa de poder ouvir.

Pensa num pai que tenta conversar com um filho adolescente que decidiu fechar a cara. O pai chama, o filho não responde. O pai senta na cama, o filho vira de costas. O pai insiste por uma semana inteira. Na segunda semana, o pai entra no quarto e o filho coloca o fone no ouvido. Na terceira semana, o pai bate na porta e o filho não abre. Chega uma hora em que aquele filho não escuta mais o pai mesmo quando o pai grita. Não porque ficou surdo. Porque o coração já decidiu há tempo. O endurecimento é assim. Acontece grão por grão, dia por dia, escolha por escolha, até que o ouvido fica calejado por dentro. Foi isso que aconteceu com a maioria daquele povo. E Jesus está chamando essa cegueira pelo nome.

E então vem a virada. A esperança.

Mateus 13.16-17 (NVT)

Mas bem-aventurados os vossos olhos, porque veem, e os vossos ouvidos, porque ouvem. Porque, em verdade, vos digo que muitos profetas e justos desejaram ver o que vós vedes e não o viram; e ouvir o que vós ouvis e não o ouviram.

Jesus se volta para o pequeno grupo de discípulos. Olha nos olhos deles e os declara bem-aventurados. Não porque eram melhores. Não porque entendiam tudo. Mas porque a graça os puxou para perto o suficiente para que eles perguntassem. Os discípulos eram, na maioria, gente simples. Pescadores. Um cobrador de imposto. Não eram doutores da Lei. Estavam ali, perguntando. Os doutores da Lei, com toda a leitura, ficaram do lado de fora. Abraão, Moisés, Davi, Isaías desejaram ver o dia em que o Messias falaria como Jesus falou ali. Não viram. Aqueles pescadores galileus estavam vendo. A história inteira da redenção tinha chegado ao ponto em que os pequenos veem o que os grandes não viram.

Você está entendendo a força dessa cena?

Mateus 13.1-17 é um espelho. Você lê o texto e o texto lê você. Não dá para sair desse capítulo sem perguntar em que parte da praia você está. Está no barco com Jesus, fazendo a pergunta certa, ou está em pé na areia, ouvindo a história e indo embora sem voltar? A diferença entre uma posição e outra não é intelectual. É de coração disposto a perguntar de verdade.

A parábola não acaba quando Jesus para de falar. Ela continua agindo dentro de quem ouviu. Aquela história sobre solos foi semente em si mesma. Caiu sobre mil corações na praia. Cada coração era um solo. Algumas mentes esqueceram em três dias. Algumas se entusiasmaram por uns meses e depois sumiram. Algumas começaram a ouvir e foram afogadas pelas preocupações da vida. Algumas se abriram, perguntaram, voltaram e voltaram, até que aquela semente deu fruto. A parábola do semeador é a parábola da parábola. Quando Jesus contou aquela história, ele estava prevendo o que ia acontecer com a própria história enquanto ela atravessava a praia.

Tem outra coisa que precisa ser dita. A graça que abre o ouvido é a mesma graça que pode endurecer o ouvido de quem resiste. Isso parece duro. É duro mesmo. É o que o texto diz. Deus não trata todo mundo da mesma forma como se fosse obrigado a tratar. Ele é livre para entregar entendimento a um pescador analfabeto e ocultar dos sábios de Jerusalém. Aquele que se enche de si mesmo perde a capacidade de ouvir. Aquele que se reconhece vazio recebe entendimento como um copo recebe água.

O que falta, na maioria dos casos, é a humildade de perguntar como os discípulos perguntaram. Eles não saíram da praia comentando a aula com os outros. Se aproximaram, olharam para Jesus e disseram: por que lhes falas por parábolas? Foi nessa pergunta, feita perto e em voz baixa, que receberam tudo. Quem pergunta recebe explicação. Quem nunca pergunta fica com a história solta na cabeça, sem chave, sem porta, sem entrada.

Como aplicar isso na sua vida

Tem um pedacinho desse texto que volta na minha cabeça toda vez que penso nele. Jesus olha para aqueles pescadores e diz que muitos profetas desejaram ver o que eles estavam vendo, e não viram. Pensa nisso. Abraão desejou. Moisés desejou. Davi desejou. Isaías desejou. E você, hoje, tem uma Bíblia inteira nas mãos. Tem o evangelho impresso, gravado em áudio, em vídeo, traduzido para o seu idioma. Tem o que reis desejaram ver. Não trate isso como pouca coisa. Não passe pelos textos como quem passa pelo feed da rede social. Você está diante de algo que profetas desejaram com lágrimas. Pede a Deus, com a sinceridade dos discípulos que se aproximaram do barco, que ele abra os olhos do seu coração para ver e os ouvidos do seu coração para ouvir. Ele responde quem pede. Esse texto promete.

Conclusão

As parábolas de Jesus não foram contadas para serem admiradas, mas para serem ouvidas e obedecidas. Esse estudo termina aqui, mas o trabalho do texto na sua vida começa agora. Que o Senhor use estas linhas para formar em você um pensamento mais cristão, mais bíblico e mais maduro, e que a semente lançada hoje encontre, em você, terra boa.