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Dois Homens no Templo
Dois homens. Um templo. Uma manhã qualquer em Jerusalém. E duas orações tão diferentes que parecem ter saído de religiões opostas. A primeira oração soa religiosa, articulada, segura. A segunda é desajeitada, cur...
Leitura principal: Lucas 18.9-14 (NVT).
Dois homens. Um templo. Uma manhã qualquer em Jerusalém. E duas orações tão diferentes que parecem ter saído de religiões opostas. A primeira oração soa religiosa, articulada, segura. A segunda é desajeitada, curta, quebrada. A primeira é dita em pé, com a postura de quem domina o terreno. A segunda é dita à distância, com os olhos baixos e a mão batendo no peito. E quando Jesus termina de contar a história, a sentença dele inverte toda a expectativa religiosa de quem ouve. O homem que parecia certo voltou errado. O homem que parecia errado voltou certo. E o motivo dessa inversão é a chave de todo o evangelho.
Lucas registra antes de mais nada para quem essa parábola foi contada. Você precisa entender isso de saída. Versículo 9.
E disse também esta parábola a uns que confiavam em si mesmos, crendo que eram justos, e desprezavam aos outros:
Pare aqui. Lucas, sem rodeio, identifica o público-alvo. Jesus contou essa parábola para uma categoria muito específica de gente. Duas características. Primeira, confiavam em si mesmos. Segunda, desprezavam aos outros. As duas andam juntas. Sempre. Quem confia no próprio mérito sempre acaba desprezando quem não tem o mesmo padrão. A autossuficiência espiritual produz desprezo do próximo. É inevitável.
Você se vê nesse público? Pense com sinceridade. Você se compara com os outros? Você acha, no fundo do peito, que merece mais do que outros porque você se esforça mais? Você olha para os menos religiosos e sente um leve desdém? Se a resposta é sim, então essa parábola é particularmente para você. Não é parábola para "os outros". É parábola para você.
Vamos ouvir o texto completo, do versículo 9 ao 14:
E disse também esta parábola a uns que confiavam em si mesmos, crendo que eram justos, e desprezavam aos outros:
Dois homens subiram ao templo, a orar; um, fariseu, e o outro, publicano.
O fariseu, estando em pé, orava consigo desta maneira: Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano.
Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo.
O publicano, porém, estando em pé de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia em seu peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!
Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado.
Cinco versículos. Duas orações. Uma conclusão. E uma das verdades mais profundas do evangelho cabe nesse espaço pequeno.
O cenário é o templo. Não era um templo qualquer. Era o templo de Jerusalém, recém reformado por Herodes, considerado uma das oito maravilhas do mundo antigo. Era o coração da vida religiosa judaica. Havia horas específicas de oração pública, geralmente as nove da manhã e as três da tarde. Os judeus subiam aquelas escadarias todos os dias. Subiam por causa do sacrifício. Subiam por causa da oração. Subiam por causa do que aquele lugar representava.
E dois homens sobem juntos. Versículo 10. "Dois homens subiram ao templo, a orar; um, fariseu, e o outro, publicano." Já no primeiro versículo, Jesus monta o contraste. Fariseu e publicano. Dois polos opostos da sociedade judaica. O fariseu era o respeitado. O publicano era o desprezado. O fariseu vivia da reputação religiosa. O publicano vivia da extorsão romana. O fariseu jejuava. O publicano se enchia em banquetes ímpios. O fariseu dava dízimo. O publicano roubava o povo. Pelo menos, essa era a percepção.
E os dois sobem juntos ao templo. Os dois sentem necessidade de orar. Os dois entram pelo mesmo portão. Os dois pisam no mesmo solo sagrado. Mas a partir dali, tudo se separa.
O fariseu. Versículo 11. "Estando em pé, orava consigo desta maneira." Estando em pé. Postura comum de oração judaica. Mas Lucas faz questão de mencionar a postura. Por quê? Porque a postura física revela a postura interior. Esse homem está orando em pé. Confiante. Seguro. Imponente. Não está de joelhos. Não está prostrado. Está em pé. Como quem fala de igual para igual. Como quem chega ao trono carregando os próprios méritos.
"Orava consigo." Essa expressão é importante. No original grego, "tauta pros heauton proseucheto". Literalmente, "orava estas coisas para consigo mesmo". A oração dele não é dirigida a Deus. É dirigida a si mesmo. Ele está, na verdade, fazendo um discurso de autopromoção disfarçado de oração. Está se ouvindo orar. Está se admirando. Está se entretendo com a própria virtude.
E o conteúdo da oração é demolidor. "Ó Deus, graças te dou porque não sou como os demais homens, roubadores, injustos e adúlteros; nem ainda como este publicano. Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo."
Pare e respire. Vamos dissecar essa oração. Porque essa oração é, infelizmente, a oração que mora dentro de muitos cristãos religiosos que nunca admitiriam isso.
"Ó Deus, graças te dou." Começa religiosamente correto. Gratidão é virtude. Agradecer é certo. Mas observe o motivo da gratidão. Ele não agradece por algo que recebeu. Agradece por aquilo que é. Aquilo que ele é por mérito próprio.
"Porque não sou como os demais homens." Aqui está o veneno. Ele se diferencia. Ele se separa. Ele cria uma categoria especial para si. Não pertenço à massa comum. Sou outra coisa. Sou superior. Estou em outro plano espiritual. Note que ele agradece pela não pertença ao gênero humano comum. Como se ser humano comum fosse uma falha.
"Roubadores, injustos e adúlteros." Três categorias. Três tipos do mau. Três xingamentos genéricos para "os outros". Note que ele lista pecados específicos que ele aparentemente não comete. Mas será verdade? Será que ele nunca roubou? Roubar pode ser óbvio ou sutil. Roubar tempo do outro com a própria importância. Roubar reputação do outro com um comentário desnecessário. Roubar paz do outro com uma comparação cruel. Será que ele nunca foi injusto? Injusto nas pequenas decisões do dia. Injusto na forma como tratou um servo, um vizinho, um inferior. Será que ele nunca foi adúltero? Adúltero não apenas em ato, mas no olhar, no pensamento, como Jesus mesmo ensinou no Sermão do Monte. A grande mentira do farisaísmo é achar que pecado é apenas o que aparece nas grandes manchetes. Não é. Pecado é também o que dorme no canto escuro do coração.
"Nem ainda como este publicano." E aí ele desce no específico. Aponta. Compara. Despreza. Esse aí. Aquele lá. Olha o coitado. Como ele pode estar aqui? Note a violência sutil dessa frase. Ele está orando, supostamente para Deus, e usa o tempo da oração para descer no outro homem que também está ali tentando se aproximar de Deus. A oração dele se transformou em um sermão contra outro pecador na presença de Deus.
E aí vem a parte que mostra o currículo. "Jejuo duas vezes na semana, e dou os dízimos de tudo quanto possuo." Jejum duas vezes na semana. Provavelmente segunda e quinta-feira, como era costume entre os fariseus. A lei mosaica exigia apenas um jejum por ano, no dia da expiação. Os fariseus jejuavam duas vezes por semana, ou seja, cento e quatro vezes por ano. Era mérito além da lei. Dízimo de tudo. A lei exigia dízimo de cereais, vinho e azeite. Os fariseus davam dízimo até de ervas aromáticas, até de hortelã, até do sal. Eram tão escrupulosos que contavam folhinha por folhinha. Era mérito além da lei.
E aí está o problema. O fariseu construiu uma religião que vai além das exigências mínimas da lei. Mas que vai apenas além no que é externo. Não vai além no que é interno. Jejua, mas despreza o irmão. Dá dízimo, mas julga o publicano. Cumpre a forma, mas perde o coração. E na presença de Deus, em vez de pedir misericórdia, apresenta o currículo. Em vez de chorar pelos pecados, exibe as virtudes. Em vez de bater no peito, levanta o queixo.
Você sabe o que é mais perigoso nesse fariseu? Ele não está mentindo. Provavelmente tudo o que ele diz sobre si é verdade. Ele realmente jejua duas vezes. Ele realmente dá dízimo de tudo. Ele realmente não está cometendo adultério, roubo, injustiça gritante. Tudo é verdade. Mas tudo está errado. Porque a verdade externa não está acompanhada da verdade interna. Os fatos estão lá, mas o coração está fora do lugar.
Eu acredito que essa é uma das lições mais incômodas dessa parábola. Você pode estar fazendo tudo certo por fora e estar completamente perdido por dentro. Você pode ir à igreja toda semana, ler a Bíblia todo dia, dar dízimo religiosamente, jejuar, evangelizar, e mesmo assim estar tão longe de Deus quanto um pagão que nunca pisou em uma igreja. Por quê? Porque a aproximação de Deus não acontece pelos méritos. Acontece pela rendição. E o fariseu nunca se rende. Porque ele acha que não precisa se render.
Agora vamos ao publicano. Versículo 13. "O publicano, porém, estando em pé de longe, nem ainda queria levantar os olhos ao céu, mas batia em seu peito, dizendo: Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!"
Cada detalhe dessa cena é uma facada na religiosidade.
"Estando em pé de longe." Ele não se aproximou do altar. Não chegou na frente. Ficou na parte de trás. Talvez no pátio dos gentios. Talvez no canto mais afastado. Por quê? Porque ele se sentia indigno. Porque ele sabia que aquele lugar não era para ele. Porque ele estava ali constrangido, com vergonha, com o peso de uma vida inteira tentando engolir a culpa.
"Nem ainda queria levantar os olhos ao céu." Os judeus piedosos, quando oravam, olhavam para cima, com as mãos estendidas. Mas esse homem não consegue. Os olhos dele não levantam. Está com a cabeça baixa. Está com vergonha de olhar para Deus. Está sentindo o peso de si mesmo. Não há como descrever em palavras o desconforto interior dessa cena. Esse homem está se sentindo lixo na frente de Deus. E está admitindo isso fisicamente.
"Batia em seu peito." No mundo antigo, bater no peito era gesto de luto profundo, de dor visceral, de pesar extremo. Era o gesto que se fazia diante da morte de alguém amado. E ele está fazendo esse gesto por causa do próprio pecado. Está chorando o pecado como quem chora um morto. Está fazendo luto pelo estado da própria alma. Está reconhecendo, em gesto, que o que ele é não pode continuar como está.
E a oração. Curta. Direta. Sem floreios. "Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador!" Sete palavras em português. No grego, ainda mais curtas. "Ho theos, hilastheti moi to hamartolo." Note o artigo definido no final. "O pecador." Não "um pecador". Não "um dos pecadores". "O pecador." Como se ele fosse a personificação do pecado. Como se ele se visse como o pior. Como se ele fosse Paulo dizendo "do qual eu sou o principal" em 1 Timóteo 1.15.
E o verbo "hilastheti" é importante. Em português ficou "tem misericórdia". Mas no grego, é mais específico. É o verbo da propiciação. É o verbo que se usa para o sacrifício que cobre o pecado. Ele está pedindo "Deus, sê propiciado para comigo, pecador". "Deus, aplica o sacrifício a mim". "Deus, cubra meu pecado com o sangue do sacrifício". Esse publicano, mesmo sem perceber, está pedindo pelo evangelho. Está pedindo pela cruz antes da cruz acontecer.
Pare aqui. Sinta o peso dessa cena. O templo está cheio de gente. As trombetas estão soando. Os sacerdotes estão fazendo rituais. Há fumaça subindo, há cânticos sendo entoados, há sacrifícios sendo oferecidos. E no canto, longe de tudo, está esse homem. Sozinho. Cabeça baixa. Mão batendo no peito. Dizendo "Deus, sê propício a mim, o pecador". E o céu inteiro vibra. Por quê? Porque essa é a oração que Deus aceita. Essa é a oração que abre a porta do reino. Essa é a oração que justifica.
E Jesus encerra com a sentença que muda tudo. Versículo 14. "Digo-vos que este desceu justificado para sua casa, e não aquele; porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado."
"Este desceu justificado." A palavra é jurídica. Justificado. Declarado justo. Não declarado bom. Não declarado virtuoso. Declarado justo. Como um juiz que bate o martelo e absolve o réu. O publicano subiu pecador e desceu justificado. Subiu condenado e desceu absolvido. Subiu carregando dívida e desceu com a dívida paga. Como isso é possível? Porque a justificação não é prêmio do mérito. É dom da graça. O publicano não trouxe currículo. Trouxe necessidade. E Deus, que rejeita o currículo, aceita a necessidade.
"E não aquele." O fariseu desceu como subiu. Ou pior. Subiu confiante e desceu condenado. Subiu para receber bênção e desceu carregando juízo. Não porque Deus odeia jejum ou dízimo. Mas porque Deus odeia o orgulho disfarçado de piedade. Deus resiste aos soberbos. Mas dá graça aos humildes. Tiago 4.6. Pedro também repete isso. Essa parábola é a ilustração dessa verdade.
"Porque qualquer que a si mesmo se exalta será humilhado, e qualquer que a si mesmo se humilha será exaltado." Essa é a economia do reino. Lei espiritual inegociável. Quem sobe, desce. Quem desce, sobe. Quem se acha grande, será diminuído. Quem se reconhece pequeno, será engrandecido. Quem confia em si, será envergonhado. Quem desconfia de si e confia em Deus, será justificado.
Eu quero que você pare e olhe pra dentro. Onde você está nessa história? Você sobe ao templo como o fariseu ou como o publicano? Quando você ora, sua oração é discurso para impressionar Deus ou clamor para receber misericórdia? Quando você fala da sua vida cristã, você está apresentando currículo ou está confessando necessidade? Quando você compara com os outros, você se acha mais ou menos?
Eu vou te dar um teste prático. Pense na sua oração de hoje cedo. Ou da última oração que você fez. Quanto tempo você passou agradecendo por suas virtudes? Quanto tempo você passou pedindo misericórdia pelos seus pecados? Quanto tempo você passou comparando-se aos outros, mesmo que sutilmente? Quanto tempo você passou batendo no peito? Se a sua oração é mais sobre dizer pra Deus o que ele precisa saber sobre você, talvez você esteja orando como fariseu. Se a sua oração é mais sobre receber misericórdia por aquilo que Deus já sabe sobre você, então você está orando como publicano.
Existe uma cena muito comum em igrejas brasileiras hoje. Aquele irmão que toda semana toma a palavra na hora dos testemunhos. Conta como Deus está usando ele. Lista os ministérios em que serve. Menciona as pessoas que ele evangelizou. Diz quantas vezes orou essa semana. E você, ouvindo, sente um misto de admiração e desconforto. Admira o engajamento. Desconforta-se com algo no tom. Esse algo no tom é o farisaísmo. É a sutileza do "vejam como sou usado, vejam como sou ativo, vejam como sou diferente". Não está mentindo. Tudo é verdade. Mas tudo é apresentado de forma que glorifica o servo mais do que o Senhor.
Em contraposição, existe aquela irmã que entra na igreja em silêncio. Senta na mesma cadeira de sempre. Não fala em testemunho. Não posta no Instagram. Não chama atenção. Mas quando você senta para conversar com ela, descobre que ela enterrou um filho, cuida da mãe com Alzheimer, perdoou o marido que a abandonou e visita semanalmente a vizinha doente. Ela não conta. Ela faz. E quando você pergunta como ela consegue, ela responde "filho, eu só sobrevivo pela misericórdia do Senhor". Essa é a publicana. Essa é a justificada. Essa é a que desce do templo perdoada.
A questão não é fazer menos. A questão é fazer com outro coração. Não pare de jejuar. Não pare de dar dízimo. Não pare de servir. Mas pare de apresentar a Deus o que você faz como argumento de justificação. Apresente a Deus o que Cristo fez. Apresente a cruz. Apresente o sangue. Apresente a obra completa de Jesus. E receba a justificação pela graça, mediante a fé.
Quero te mostrar uma camada teológica que muita gente perde nesse texto. Essa parábola está apontando para a doutrina central da Reforma. A justificação pela fé, sem obras da lei. Lutero, no século dezesseis, redescobriu essa verdade. Mas Jesus já a estava ensinando aqui, séculos antes. O fariseu é o representante da religião pelas obras. O publicano é o representante da fé na graça. E o veredito divino é claro. As obras não justificam. A fé justifica. Você não sobe a montanha religiosa carregando seu currículo. Você se prostra no chão pedindo misericórdia. E é nessa prostração que você é exaltado.
Toda religião humana ensina como subir a montanha. O cristianismo ensina que Deus desceu. Toda religião humana ensina o que o homem deve fazer para alcançar Deus. O cristianismo ensina o que Deus fez para alcançar o homem. Toda religião humana glorifica o esforço humano. O cristianismo glorifica a graça divina. E essa parábola, do publicano que volta justificado, é um dos sumários mais claros dessa verdade.
E quero te dar uma palavra agora para quem está se sentindo o publicano da história. Talvez você tenha errado feio. Talvez sua vida esteja em pedaços. Talvez você esteja envergonhado de tudo o que fez. Talvez você tenha medo de orar porque acha que Deus não te aceita mais. Talvez você esteja com aquela vergonha que não deixa nem levantar os olhos. Quero te dizer com toda firmeza. Deus está te esperando exatamente nesse estado. Não tente se limpar antes de orar. Não tente colocar a vida em ordem antes de chegar. Não tente formular o discurso perfeito. Vá assim. Cabeça baixa. Coração pesado. Mão no peito. Diga as sete palavras. "Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador." E saiba que essa oração não vai voltar vazia. Ela vai te trazer de volta justificado. Hoje.
Como aplicar isso na sua vida
Três aplicações concretas para fechar.
- Primeira aplicação. Examine sua oração. Pare antes de orar e pergunte-se "essa oração é discurso ou clamor?". Se for discurso, reescreva o coração. Não a fórmula. O coração. Você não precisa mudar as palavras. Precisa mudar a postura interior por trás delas.
- Segunda aplicação. Pare de se comparar. A comparação é o combustível do farisaísmo. Toda vez que você se compara com alguém para se achar superior, você está no templo orando como o fariseu. Toda vez que você se compara com alguém para se achar inferior, você está numa armadilha diferente, mas igualmente errada. A solução não é comparar-se com gente. É olhar para Cristo. E diante de Cristo, todos somos publicanos.
- Terceira aplicação. Bata no peito hoje. Literalmente. Antes de dormir, se ajoelhe, coloque a mão no peito, e diga em voz alta "Ó Deus, tem misericórdia de mim, pecador". Não como fórmula mágica. Mas como ato de rendição. Como exercício de humildade. Como confissão honesta. E sinta o peso dessa frase. Sinta a libertação dessa frase. Sinta a graça dessa frase.
E termino com uma pergunta. Você desceu do templo hoje justificado? Você está vivendo de fato como alguém que recebeu graça? Ou ainda anda apresentando currículo? A diferença entre o cristão que floresce e o cristão que seca é essa. O que floresce vive na graça. O que seca vive no esforço. O que floresce bate no peito. O que seca exibe a planilha. Onde você está? Onde quer estar?
Você está entendendo? Esse Deus que justifica o publicano também justifica você. Esse Deus que envergonha o fariseu também avisa você. A graça é o evangelho. O orgulho é o veneno. Largue um. Receba o outro. E desça do templo, hoje, justificado para sua casa.
Conclusão
As parábolas de Jesus não foram contadas para serem admiradas, mas para serem ouvidas e obedecidas. Esse estudo termina aqui, mas o trabalho do texto na sua vida começa agora. Que o Senhor use estas linhas para formar em você um pensamento mais cristão, mais bíblico e mais maduro, e que a semente lançada hoje encontre, em você, terra boa.