Sacerdócio universal: você é o sacerdote que Deus está procurando
O Antigo Testamento tinha sacerdotes. O Novo Testamento tem você. Entender o sacerdócio universal muda como você ora, como você serve e como você vive sua fé.
No Antigo Testamento, ninguém chegava perto de Deus diretamente. Tinha o sacerdote para isso. Se alguém quisesse oferecer sacrifício, falar com Deus, receber palavra, precisava da mediação de um homem separado para essa função. O sacerdote tinha a roupa especial. Entrava no lugar especial. Falava as palavras especiais. E o povo ficava do lado de fora, esperando.
Quando Jesus morreu na cruz, o véu do templo se rasgou de alto a baixo. Esse rasgo não foi um detalhe de cenário. Foi um anúncio teológico. Deus estava dizendo: o sacerdócio acabou. O templo acabou. A separação acabou. A partir de hoje, todo aquele que é meu, é sacerdote diante de mim.
Esse é o sacerdócio universal. E é uma das doutrinas mais negligenciadas e mal entendidas da igreja contemporânea.
A intenção original de Deus
Em Êxodo 19, antes mesmo de Israel receber a Lei, Deus já tinha dito qual era o desejo dele. "Vós me sereis reino de sacerdotes e nação santa" (Êxodo 19:6). O plano original era um povo inteiro de sacerdotes. Cada israelita falando diretamente com Deus. Cada israelita representando Deus diante das nações.
Mas o povo não quis. Em Êxodo 20, depois de ouvir os trovões e ver os relâmpagos no Sinai, eles disseram para Moisés: "Fala-nos tu, e ouviremos; mas não fale Deus conosco, para que não morramos". Eles trocaram o relacionamento direto pela mediação. Trocaram o sacerdócio universal pelo sacerdócio levítico.
Isso aconteceu porque toda vez que a gente chega perto de Deus, alguma coisa morre dentro da gente. E a maioria das pessoas prefere não morrer. Prefere ouvir Deus de longe, pela boca de outro. É mais confortável. É menos exigente. É menos transformador.
O bezerro de ouro
Não demorou para o problema aparecer. Moisés subiu o monte para receber a Lei e demorou quarenta dias. O povo, sem o mediador, perdeu o rumo. Foram a Arão e disseram: "Faze-nos deuses que vão adiante de nós; porque, quanto a este Moisés, o homem que nos tirou da terra do Egito, não sabemos o que lhe aconteceu" (Êxodo 32:1).
Repare na frase. Eles disseram que Moisés era quem os tinha tirado do Egito. Esqueceram do Deus que abriu o mar Vermelho. Esqueceram das pragas no Egito. Esqueceram do maná. Atribuíram a salvação a um homem. E quando o homem sumiu, eles fundiram um bezerro de ouro para substituí-lo.
Esse é o risco do sacerdócio mediado. Se você depende de um homem para se relacionar com Deus, quando esse homem cai, sai, decepciona ou morre, você perde a fé. Porque sua fé estava no homem, não em Deus. Você fez do pastor o seu bezerro de ouro.
O sacerdote único
O Novo Testamento traz um sacerdote diferente. "Tendo, pois, um grande sumo sacerdote, Jesus, Filho de Deus, que penetrou os céus, retenhamos firmemente a nossa confissão" (Hebreus 4:14). Jesus é o único sacerdote necessário. O único mediador. "Há um só Deus e um só Mediador entre Deus e os homens, Cristo Jesus, homem" (1 Timóteo 2:5).
Mas a beleza do evangelho é que Jesus, sendo o único sacerdote, transformou todos os filhos de Deus em sacerdotes também. Não como mediadores entre Deus e os outros, mas como pessoas que têm acesso direto, pessoas que oferecem sacrifício de louvor, pessoas que ministram em nome dele.
Pedro escreve: "Vós, porém, sois raça eleita, sacerdócio real, nação santa, povo de propriedade exclusiva de Deus" (1 Pedro 2:9). Apocalipse 1:6 confirma: "Nos fez reino, sacerdotes para o seu Deus e Pai".
Você é sacerdote. Não importa se é mulher, se é jovem, se é trabalhador braçal, se é empresário, se é dona de casa. Se você é nascido de novo, você é sacerdote no Reino do Cristo.
O que significa ser sacerdote
Ser sacerdote significa pelo menos três coisas. Primeiro, você tem acesso direto a Deus. Não precisa de pastor para orar por você antes que Deus te ouça. Pode entrar no Santo dos Santos pelo sangue de Jesus, "pelo novo e vivo caminho que ele nos consagrou pelo véu, isto é, pela sua carne" (Hebreus 10:20).
Quando você ora, é sacerdote oficiando. Quando você lê a Bíblia, é sacerdote consultando o Senhor. Quando você confessa o pecado a Deus, é sacerdote oferecendo sacrifício de coração contrito. Você não precisa de um intermediário humano. Cristo já é o intermediário.
Segundo, você representa Deus diante das pessoas. Como sacerdote, você é a presença de Cristo no escritório, na escola, no bairro. Você é a Bíblia que o seu vizinho lê. Você é o sermão que o seu colega ouve. Você é a evidência de que Deus está vivo.
Terceiro, você intercede pelos outros. O sacerdote levítico oferecia sacrifício pelo povo. Você oferece oração pelo povo. "Suplico, pois, antes de tudo, que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças por todos os homens" (1 Timóteo 2:1). Sua oração tem peso. Sua intercessão muda histórias.
Os cinco ministérios não substituem o sacerdócio
Alguém pode perguntar: e os cinco ministérios? Apóstolos, profetas, evangelistas, pastores e mestres? Eles não existem mais? Existem. Mas a função deles, conforme Efésios 4:11-12, é outra. "E ele mesmo concedeu uns para apóstolos, outros para profetas, outros para evangelistas, e outros para pastores e mestres, com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço".
Os cinco ministérios existem para equipar os santos para o ministério. Não para fazer o ministério no lugar dos santos. Não para ser o canal exclusivo entre Deus e os fiéis. O pastor não é mediador. É treinador. É equipador. É aquele que prepara os sacerdotes para que eles façam o trabalho.
Quando a igreja inverte essa lógica e o pastor vira mediador, o povo vira plateia, e a igreja morre. Porque a missão não é dos cinco. É dos cinco para os santos. E os santos para o mundo.
Pare de procurar bezerro de ouro
Quando o seu pastor cair, decepcionar, sair, morrer, qual bezerro de ouro você vai colocar no lugar dele? A pergunta não é teórica. É a pergunta que vai te visitar mais cedo ou mais tarde.
Porque pastores caem. Pregadores erram. Líderes desapontam. Se a sua fé estava neles, você perde a fé. Se a sua fé está em Cristo, você sobrevive a qualquer queda.
Cuide do seu sacerdócio. Não terceirize sua vida espiritual. Não delegue a oração para o pastor da igreja. Não delegue o estudo da Bíblia para o pregador favorito. Não delegue a santidade para a comunidade. Você é o sacerdote. Você é o responsável pelo seu altar. Você é o que entra no Santo dos Santos.
E a igreja não é um lugar onde sacerdotes vão para ser servidos. É um ajuntamento de sacerdotes que se equipam, se fortalecem, se animam mutuamente, para sair dali e ministrar nos lugares onde foram chamados a ser luz.
Hoje, todos somos sacerdotes. E é hora de viver à altura do chamado.
Perguntas frequentes
O que é o sacerdócio universal dos crentes?
É a doutrina de que todo cristão tem acesso direto a Deus por meio de Cristo, sem precisar de um mediador humano. Quando Jesus morreu, o véu do templo se rasgou, anunciando o fim da separação entre Deus e seu povo.
Qual a base bíblica do sacerdócio universal?
Já em Êxodo 19.6 Deus chamou Israel a ser reino de sacerdotes. O Novo Testamento cumpre esse plano em Cristo, fazendo de cada crente um sacerdote que se aproxima de Deus, ora e o representa diante do mundo.
O que muda na prática por sermos sacerdotes?
O cristão ora diretamente a Deus, intercede pelos outros, oferece a própria vida em adoração e representa Deus no mundo. O sacerdócio universal acaba com a ideia de que só clérigos têm acesso pleno ao Senhor.