Amor não é moeda de troca: a marca real do discípulo
Jesus disse que o mundo reconheceria seus discípulos pelo amor. Mas o amor que Ele descreveu e radicalmente diferente do que aprendemos a chamar de amor.
Em João 13, Jesus deixa um mandamento novo. "Amém-se uns aos outros como eu os amei. Com isso todos saberão que vocês são meus discípulos". Repare na sequência. Não disse que o mundo reconheceria pelos milagres. Nem pelo conhecimento bíblico. Nem pelos jejuns. Pelo amor.
Mas qual amor? Porque a palavra "amor" hoje virou tão genérica que quase não significa nada. Um time de futebol fala de amor. Um anuncio de cerveja fala de amor. Uma canção romântica fala de amor. Jesus estava falando de outra coisa.
A natureza, não a moeda
A primeira distorção a desfazer é que amor não é moeda. Não é algo que você gasta com quem merece e retem de quem não merece. Não é recompensa. Não é barganha. Não é selecionado pelo comportamento do outro.
Jesus deixou isso claro em Mateus 5: "Vocês ouviram que foi dito: ame seu próximo e odeie seu inimigo. Eu, porém, vos digo: amém os seus inimigos. Porque ele faz o sol nascer sobre maus e bons, e derrama chuva sobre justos e injustos".
Se você só ama quem te ama, você não está amando como Deus ama. Esta apenas trocando. Até publicano e pagão fazem isso. O amor cristão não é resposta ao merecimento do outro. E natureza que sai de você porque a vida divina está dentro de você.
Pense em uma macieira. Ela não se esforca para dar maca. Ela da maca porque e macieira. O fruto é a expressão da natureza. Galatas 5 chama amor de "fruto do Espírito" exatamente por isso. Quando o Espírito habita em você, o amor não é tarefa. E natureza.
Jesus na cruz é a prova. O acoite tirava sangue do seu corpo, mas o que saia da boca era amor. "Pai, perdoa-lhes". Por que? Porque dor não tira de você o que você não tem. Tira o que você tem. Se debaixo do acoite saia perdão, era porque dentro dEle havia perdão.
O próximo não é quem você escolhe
Jesus condicionou o amor a uma palavra: próximo. Ame o seu próximo. Mas qual e a definição de próximo? Não é quem você gosta. Não é quem te aprova. Não é quem comparte sua opinião política. Próximo e quem chegou perto.
Quem entrou no seu raio de ação na última semana e seu próximo. O vendedor mal humorado da padaria, seu próximo. O motorista que te fechou no transito, seu próximo. O colega de trabalho que você não gosta, seu próximo. O parente que te decepcionou, seu próximo.
E o próximo não precisa ser merecedor. Só precisa estar próximo. Esse é o pré-requisito único para amar.
A marca esquecida
Quando o mundo pensa em "crente" hoje, qual e a primeira palavra que vem? Provavelmente uma lista de não-pode. Não bebê, não danca, não usa shorts, não vai no cinema, não escuta tal música. Talvez "religioso". Talvez "moralista". Talvez "hipocrita".
Quase nunca a primeira palavra é "amor".
E essa é a tragedia. Jesus deu uma marca, e nos trocamos por outra. Trocamos amor por ética de aparência. Trocamos amor por discurso político. Trocamos amor por defesa de doutrina. Tudo isso pode estar certo, mas se não houver amor, nada disso identifica você como discípulo.
Billy Graham resumiu: nos somos as Biblias que o mundo lê. Nos somos os sermoes que o mundo presta atenção. Se a única Bíblia que aquele seu vizinho já leu e você, qual evangelho ele está lendo? Um evangelho de amor que se sacrifica? Ou um evangelho de moralismo que se distancia?
O que Paulo definiu como amor
Paulo, em 1 Corintios 13, escreveu o texto mais famoso sobre amor. E ele não definiu amor como sentimento. Definiu como prática. Como conjunto de habitos.
"O amor é paciente. O amor é bondoso. Não inveja, não se vangloria, não se orgulha. Não maltrata, não procura seus interesses, não se irá facilmente, não guarda rancor".
Repare que tudo na lista e verbo. Coisa que você faz. Ou não faz. O amor de Paulo não é o que você sente. É o que você escolhe. E o habito de tratar o outro com paciência, mesmo quando você não está com paciência. E o habito de não guardar rancor, mesmo quando rancor seria justificado.
E aqui aparece outra mudança. Amor não é sobre o que você tem direito de receber. E sobre o que você escolhe dar. Não é sobre seus direitos. E sobre seus deveres.
A maior parte das relações humanas se quebra porque cada lado conta os direitos. "Eu mereco mais isso, eu deveria estar recebendo aquilo, ele me deve, ela tem que". Amor reverte o vetor. Amor pergunta: o que eu posso dar?
A pessoa, não o conceito
Por fim, amor não é filosofia. Amor é uma pessoa. João escreveu: "Deus e amor". Não "Deus e amoroso". Deus e amor. A própria definição de amor é Deus mesmo. Jesus encarnado é o dicionario do amor.
Por isso a referência para amar é Jesus. Quando você não sabe se está amando direito, pergunte: e parecido com o jeito que Jesus amou? Se for, e amor. Se não for, não é amor, importa o quanto você chame de amor.
E para amar como Jesus amou, você precisa do Espírito de Jesus. Você não consegue na sua força. Por isso a primeira oração de quem leva a serio essa marca é: Senhor, me ensina a amar. Me da macrotumia, me da bondade, me da o seu coração para o próximo que está na minha frente.
Porque se não for assim, você vai continuar entendendo amor errado. E o mundo vai continuar sem ler a marca real do discipulado na sua vida.
Perguntas frequentes
O que significa amar como Jesus amou?
Significa amar por natureza, não por barganha. O amor cristão não responde ao merecimento do outro, mas brota da vida de Deus dentro de nós, como o fruto brota da árvore. É amar até quem não retribui.
Por que Jesus mandou amar os inimigos?
Porque Deus faz o sol nascer sobre maus e bons. Amar só quem nos ama é apenas troca, algo que até os pagãos fazem. Em Mateus 5, Jesus chama os discípulos a refletir o amor gratuito do Pai.
O amor é mesmo a marca do cristão?
Sim. Em João 13, Jesus disse que o mundo reconheceria seus discípulos pelo amor, não pelos milagres, pelo conhecimento ou pelos jejuns. Gálatas 5 chama o amor de fruto do Espírito, sinal da vida divina.